Home
Agenda Rio
Agenda Sampa
Aprenda Música
Artigos
Crônicas
Entrevistas
Estilos
História
Lançamentos
MPB Link
Notícias
Opinões
Papo MPB
Perfil
Promoções
Shopping
Show Business
TV MPB
Rio de Janeiro -
Principal
:: Crônicas
Imprimir
gritosesussurros.com
Autor: Braz Chediak
Apareceu, num Site americano um anúncio em que uma mulher, “Sarah”, procurava um homem violento para estuprá-la. Choveram propostas, e o escolhido – talvez pela riqueza de detalhes e revelações de sordidez - foi Ty McDowell. Começou aí uma troca de mensagens e informações que culminou com Ty invadindo a casa de “Sarah”, amarrando-a, amordaçando-a e a violentando com requintes de crueldade.
A polícia logo desvendou o caso que seria apenas mais um entre tanta violência que assola a humanidade se o autor do anúncio não fosse o próprio namorado da vítima, um jovem oficial da marinha, Jebidiah Stipe.
Esta pequena notícia, num canto de página, me levou a outros tempos onde outras histórias de amor se transformaram em tragédia: Romeu e Julieta, Tristão e Isolda, Orfeu e Eurídice..., ou a pensar em fatos daqui mesmo, de nossa pequena Três Corações, onde pais obrigavam filhos a se casarem contra a vontade para assegurar ou aumentar suas fortunas, jovens pobres eram atiradas na zona de meretrício por perderem a virgindade, maridos deixavam as mulheres em casa para se divertirem com prostitutas, etc., etc.
O amor violento sempre existiu, assim como o amor romântico que levou Romeu e Julieta a morte, que fez com que Marília passasse a vida esperando o retorno de Dirceu.
Agora, escrevendo esta crônica, me lembro do poema que Cardenal – o poeta nicaragüense – fez para conquistar uma mulher chamada Cláudia. O amor dela terminou e se separaram. Eis a pungente reação do mestre:
“Ao perder-te eu a ti/ tu e eu perdemos: Eu, porque tu eras o que eu mais amava /e tu porque eu era o que te amava mais / mas de nós dois tu perdeste mais que eu: porque eu poderei amar a outras como te amava a ti, / mas a ti não te amarão como te amava eu. Moças que algum dia leiam emocionadas estes versos/ e sonheis com um poeta: Sabei que eu os fiz para uma como vós/ e que foi em vão.”
Quanta dor nestas palavras. Para um homem sensível, a separação da mulher amada é a mais terrível das separações. Um amor que passou é o NADA, mas o poeta compreende que é dele que se faz a Arte e reage. Ele cria a beleza para combater a morte.
Mas voltemos ao parágrafo inicial, ao amor perverso: Se mexermos no baú da memória retiraremos de lá muitas lendas, fatos e autores que o exemplificariam melhor: Sade, Goethe, Shakespeare, Nelson Rodrigues e até mesmo Henry Miller nos mostram, com genialidade, a sordidez do ser humano se revelando em paixões desenfreadas.
No amor romântico a lista é mais extensa, mas em todos existe a separação e, conseqüentemente, a morte do Ser.
Seja numa letra de Roberto e Erasmo dizendo que “Eu vim aqui amor só pra me despedir/e as últimas palavras desse nosso amor/você vai ter que ouvir...”, ou numa mensagem falsa procurando um estuprador para a própria namorada, o que notamos é a brevidade, a superficialidade, o fim do amor. Homens e mulheres se maltratam, se agridem, se afastam.
O amor, que deveria gerar a luz está sendo transformado em caos. Dia virá em que uivaremos como a Criatura de Mary Shelley: “Todo homem deve procurar uma esposa para aquecer seu coração. Todo animal deve ter sua companheira... Eu tinha sentimentos de afeição e eles foram retribuídos com o ódio e o desprezo... Tu podes odiar, porém acautela-te... Homem, hás de arrepender-te dos males que causas.”
E estes males podem estar num estupro via Internet ou apenas numa palavra áspera, dita num sussurro.
Carpe Diem
Envie esta página a um amigo
< Voltar
Crônicas do Chediak
Clique e Leia
Kundalini Yoga
Conheça sua força interior